domingo, 24 de junho de 2012

Wanna play again?


                Aqui estou eu de novo, não sei até quando. Mas dessa vez com a sensação de que sou forte pra levar isso a termo. Bom, a termo não. Isso não tem fim. É um eterno ciclo de recomeços, que se renovam cada vez mais intensos, maldosos e lascivos. Só que agora, bom, agora é diferente. Não sei se sou mais forte, mas me sinto mais forte. Agora sinto que realmente há um motivo para eu abrir mão da minha saúde e de várias outras coisas que eu sei bem que nós acabamos deixando de lado em função da nossa meta.

                Já cansei de recusar festas, barzinhos, junções, e eu sempre achei que fazia isso em função do meu novo jeito de viver. E talvez esse tenha sido um dos motivos para eu ter tido várias recaídas. O que eu não percebia é que a culpada por tudo era a comida, e não a Anna, nem a Mia. Há inúmeras opções para que a gente possa ser feliz, em todos os sentidos. Mas a gente escolhe se castigar constantemente, à procura de desculpas ou sofrimento.

                Mas eu já disse. Dessa vez é diferente. Dessa vez eu consigo. Dessa vez eu quero mesmo. Tenho um objetivo bem traçado, e sei exatamente como consegui-lo. E melhor ainda, eu sei que eu posso.

                Nunca consegui me “livrar” das lembranças da Anna e da Mia quando eu não estava mais com elas. Até hoje tenho reflexos dos longos períodos que elas me acompanharam. Tenho refluxos constantes e ainda uso laxantes (não tão frequentemente quanto antes, mas antes de qualquer compromisso mais relevante, estou eu lá na farmácia...). Não posso comer um pouco além da conta que já retorna tudo, sem eu nem ao menos ter que forçar o vômito. Algo que apesar de ser extremamente incômodo, com certeza evitou que eu ganhasse alguns quilos...

                Bom, e como eu já disse, os objetivos agora são claros. 60 Kg até recomeçarem as aulas da faculdade, e 55 Kg para administrar até o fim do ano. Quero ser delicada, desenvolta, elegante. Gordinhas não são frágeis, não são sensíveis, não são interessantes. Meninas magras têm aquele jeito misturado de moleca e boneca, se vestem como bem entendem, se movimentam como bem entendem, sem ter preocupações bobas, como “se eu sentar assim minha barriga fica saltada”, “vou sair com essa bolsa grandona que de lado ela esconde minha barriga”, “não vou sair hoje de noite, fico uma orca naquele vestido!”, e por aí vai... Por isso eu acho que a principal contribuição da Anna e Mia é a recuperação da autoestima. Claro que no percurso a gente se sente um lixo, mais ainda do que antes de começar. Mas isso é porque nós estamos refletindo todo o ódio que temos de nossa própria imagem, mas que não expressávamos antes por pura ignorância.

                Quantas vezes já pensei que eu poderia ser feliz do jeito que eu sou? Pois bem, não dá. Eu serei feliz da forma que eu quero ser. Não estamos condicionadas a nada. Se eu me imagino magra e com um sorriso no rosto, é porque eu consigo isso. É porque isso pertence a mim. Eu só tenho que ir buscar.

                O que me fez realmente voltar foi ter sonhado essa noite com uma cena onde eu estava magrinha, e extremamente feliz, com minha mãe me elogiando por eu ter conseguido chegar aonde eu queria, e dizendo que ela sempre acreditou em mim. É bobo? Completamente haha Mas de certa forma, foi uma prova de que eu nunca deveria ter desviado do meu caminho, e de que sonhos são possíveis.

                Vou torcer então para que o sonho seja a prévia de um dejá vu,  e para que o sentimento de ser forte me dê a coragem e a vontade para continuar sempre em frente, independente das dificuldades e dos desafios que irão aparecer no meu caminho. O beijo a tod@s, e desejo muitas pernas finas e barriguinhas chapadas para quem passar por aqui. ;*

1ª meta: 24h de NF

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